“Não é esse trauma todo”, diz Bolsonaro sobre desmatamento na Amazônia

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Durante sua tradicional live, ocorrida na quinta-feira (16), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez afirmações polêmicas sobre o desmatamento na Amazônia, além de acusar a imprensa de fraudar dados sobre o caso.

Em parte da transmissão ao vivo, o presidente afirmou que “Não é que estamos indo bem. Tem coisa para fazer? Tem, mas não é esse trauma todo”. Além disso, Bolsonaro disse que a Amazônia é “úmida” e, por isso, “não pega fogo”. “O que pega fogo é a periferia”, disse o presidente da República.

Nas últimas semanas, o governo sofreu críticas não apenas da imprensa brasileira, mas também internacional, por conta da questão ambiental. Jair Bolsonaro mostrou pensar o contrário e afirma que as acusações são “injustas”.

“Nós somos o tempo todo acusados injustamente de maltratar o meio ambiente no Brasil. A imprensa daqui publica, a imprensa de fora republica, em especial a da Europa, e lá a questão ambiental é tido como uma seita. Aí a mesma imprensa que fraudou números republica aquilo para criticar o governo”, disse Jair.

Presidente ainda disse que grande parte das queimadas são realizadas “pelo indígena e pelo coboclo”. “Fica ameaçando o tempo todo. 90% desses focos de calor são em áreas desmatadas. Não é novo incêndio. E 5% são em terras indígenas, o índio que faz isso”, continua.

Ele ainda aproveitou para fazer críticas à Europa. “A Europa é uma seita ambiental, não preservaram nada e atiram em cima de nós o tempo todo de forma injusta, é uma briga comercial. Há interesse em todo o Brasil, somos bombardeados 24 horas por dia. Parte da mídia aproveita o momento para criticar o governo, como se anteriores estivesse uma maravilha a questão ambiental no Brasil”, declarou.

A polêmica quanto ao desmatamento se deve ao levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mostra que o primeiro semestre do ano de 2020 teve o pior registro de desmatamento em dez anos. Segundo a pesquisa, foram registrados 26% casos a mais de desmatamento em relação ao ano passado, com 11.822 alertas.

Diante do claro problema, o governo do presidente Jair Bolsonaro decretou a proibição de queimadas na região por quatro meses, porém o decreto não se aplica às práticas de prevenção e combate de incêndios feitas ou supervisionadas pelas instituições públicas e agrícolas de subsistência praticadas por indígenas e povos tradicionais, atividades de pesquisa científica e controle fitossanitário.

Segundo a nova medida “Ficam autorizadas as queimas controladas em áreas não localizadas na Amazônia Legal e no Pantanal, quando imprescindíveis à realização de práticas agrícolas, desde que autorizadas previamente pelo órgão ambiental estadual”.
Tecnologia do Blogger.