Gilmar Mendes defende "boa-fé" de Bolsonaro, mas diz que seus apoiadores vivem delírios

Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

 O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, afirmou que é preciso acreditar na boa-fé do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao divulgar uma nota na qual afirma que os ataques feitos à corte no dia 7 de Setembro resultaram do "calor do momento". Na Declaração à Nação, Bolsonaro disse não ter tido "nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes". 

"Vamos aguardar. Temos de acreditar na boa-fé da manifestação e vamos aguardar os desdobramentos. Eu tenho a impressão de que foi a forma que se concebeu de se fazer uma revisão em relação a isso [aos ataques do presidente]. Eu não vou fazer questionamentos a propósito de estratégias políticas ou estratégias político-eleitorais. Cada qual terá a sua", afirmou Gilmar Mendes em entrevista à Folha na sexta (10), dia seguinte à divulgação do texto pelo Palácio do Planalto.

A mudança no tom do mandatário ocorreu após seguidos xingamentos a integrantes do Supremo. No Dia da Independência, Bolsonaro chegou a chamar Alexandre de Moraes de canalha e falou que não cumpriria decisões do ministro.

Para o ministro, os apoiadores do presidente vivem uma ilusão de que o STF ameaça a governabilidade de Bolsonaro e até integrantes do governo dizem acreditar em notícias falsas a respeito da corte.

"Não cumprimos a meta de vacinação e estamos a praticar esse novo esporte de agressões contínuas e alguns delírios", afirmou.

Na conversa com a Folha, Gilmar ainda defendeu o inquérito das fake news e afirmou que, se não houvesse a investigação, o Brasil teria "derrapado para um modelo de perfil muito autoritário". "Me parece que entre os próceres do presidente há essa ideia de que tudo compõe esse âmbito de proteção de liberdade de expressão, quando nós sabemos que não é assim", disse.

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