Banda serrinhense lança álbum e tem aprovação da crítica especializada e do público. Confira!

 Convildo-lhes para uma boa prosa, imagine-se em qualquer lugar do universo, mas preparem-se para viajar muito, vamos lá, senta aí, "it's a long way, my brother"...

Foto: Divulgação/JBB

Formada no segundo semestre de 2020, a Johnny Bulldog Band já nasceu como todo bom baiano, estreando com o pé na porta, dando a cara a tapa com o Single "A Lei Sou Eu". Composto por Kelvy Cruz (Voz e Guitarra), Felipe Gama (Guitarra), Aroldo Carlos (Baixo) e William Wagner (Bateria), o grupo traz em suas raízes sonoras pitadas de vários estilos, indo do Pop ao hard rock, passando pelo blues e desaguando em melodias categoricamente recheadas, é um verdadeiro convite ao prazer.

Eis que no dia 15 de Agosto de 2022, a JBB nos presenteou com o seu debut, o tão esperado, “O Andarilho", vamos deixar de tanta conversa e partir em direção ao que realmente interessa.

"O Andarilho" inicia a sua jornada com a faixa título, numa introdução que já nos enche de nostalgia e expectativas, não sei ao certo do que, mas tentaremos descobrir ao longo do play, a letra é bastante característica, retrata um homem com dúvidas em meio a uma estrada que nem ele mesmo sabe onde vai dar, mas uma coisa é certa, não poderiam ter escolhido melhor música para abrir o álbum, que composição maravilhosa, as entrelinhas dessa faixa a fazem maior do que já se mostra ser, duvido você ouvir e não sair cantarolando por aí.

Seguindo a busca por si e ainda perdido em seu caminho, ouvindo sábios e tolos, o nosso herói oscila entre erros e acertos, na sensacional, "Sem Regra, Sem Lei". As guitarras ditam o ritmo da música com o apoio do piano, a cozinha trabalha muito bem, Kelvy mostra sua versatilidade e nos apresenta um pouco mais dos seus drives peculiares, ótimo momento do álbum, nos revelando que a banda tem um leque de opções enorme a ser explorado.

"Em Busca do Sol" nos recepciona com um riff muito, mas muito bom, a voz é acompanhada pelo baixo marcante e pesado de Aroldo, porém, peço a vocês, ouçam essa canção com fones de ouvido por favor, irão descobrir maravilhas criativas que nos remetem desde ao velho oeste à touradas espanholas, só ouvindo pra crer. O refrão, ladrão, rouba toda a cena quando entra, é praticamente impossível não querer cantar junto com Kelvy, é mais um grande momento do álbum, aperta o repeat e deixa rolar.

Chegamos em uma das faixas de conteúdo lírico mais marcante de "O Andarilho", para um bom entendedor, o próprio título já entrega o seu conceito, "Pessoas invisíveis", é mais um tapa na cara que a JBB nos emprega, sem resquício de dó ou piedade. Nota para a lindíssima introdução onde o baixo é dedilhado criando um ambiente de tensão muito forte, é bem verdade que quando a guitarra entra, suaviza o clima, mas esse contraste é muito bem encaixado, soando agradável demais.

Se até aqui todas as músicas anteriores renderam algumas boas linhas, essa merece o dobro do dobro que ela merece.

Estou falando da imensidão de emoções que é "O Que Eu Plantei de Mim", soa forte, soa como um grito libertador dentro de um situação angustiante. A ideia de afirmação pessoal que essa música passa, te encoraja a bater no peito e enfrentar todo o tipo de intitulação mal empregada, qualquer conceito mal formulado ou até mesmo qualquer decisão alheia que afeta diretamente a sua vida. A banda entrega uma das baladas mais sensacionais que esse que vos escreve já ouviu, exatamente como pede o "manual", emoção, força e muita precisão, vida longa à JBB!

É porrada em cima de porrada, por mais que tenhamos as nossas prediletas, eleger a música que destoa ou desgrada é um trabalho árduo, e mantendo o nível do álbum num patamar bem elevado, "Far from the sea" vem bater o martelo e dizer o porquê que esse álbum tem que alçar grandes voos, talvez seja a música mais diferente do disco, não só por ser cantada em inglês, mas também por sua construção, o trabalho de cordas dessa música é feito com muito esmero, a melodia é calmaria pura até Felipe e sua guitarra rasgada anunciar a mudança de andamento, a faixa ganha mais ímpeto e a cozinha faz um grande trabalho, nota para William Wagner que enche o copo na medida certa, grande trabalho!!

O Rock n roll sempre foi baseado em grandes riffs, Smoke on the Whater e Paranoid confirmam a minha afirmação, e é chegada a vez de "Não Faz Sentido", pedrada que possui o riff mais enérgico do álbum, aqui a JBB chuta o balde e entrega outro momento fantástico, Kelvy trabalha muito bem cantando em cima do riff e escancarando um dos maiores problemas da nossa sociedade, a violência, não importa de onde ela parta, o contexto pode até ser diferente, mas o conceito é o mesmo.

A gama de temas polemizados no disco é bem diversificada, em "Fé Cega", a banda aborda a transmissão do discurso de ódio velado das religiões, com uma letra pra lá de impactante, a música se desenrola sob uma base pesada e consistente, o refrão emprega um ganho que a faixa já vinha pedindo e a frase "Sabotaram a fé" ganha as vitrines da sua mente. Importante destacar a participação de Kelvy Cruz nesse momento do play, que solo sensacional, e ele se estende por quase toda fase final da música, dando ainda mais força ao refrão, que nos faz refletir sobre a importância de questionar tudo que tem o dedo do homem no meio.

"Era Digi Caos" entra com toda força para finalizar a obra, qualquer semelhança da intro com a famigerada "Burn" dos dinossauros do Deep Purpple, é mera coincidência, ainda mais por contar com um órgão muito bem encaixado que traz à tona a áurea setentista. A introdução desenboca num dos melhores riffs do álbum, feito por Felipe Gama, daqueles que fazem sua cabeça balançar involuntariamente. Tecnicamente é uma das mais trabalhadas do disco, tentem acompanhar as guitarras e se deslumbre com a criatividade sonora desses caras. Aqui o andarilho encerra a sua jornada se deparando com os julgamentos inoportunos da sociedade atual, onde todos se sentem especialistas de todos os assuntos e deflagram suas opiniões como verdades absolutas.

Não sei vocês, mas a coragem me encanta, ainda mais nesse tempo repleto de juízes de  todas as causas, ser autêntico requer muita bravura, e a JBB tem de sobra! "O Andarilho" ja nasceu clássico, perpassa por vários elementos líricos e musicais sem titubear,sem hesitar qualquer abordagem, como o Rock'n'Roll sempre foi, causador do desconforto da milícia da soberba. É com muita propriedade que a Johnny Bulldog Band mostra a sua cara para o mundo, com um disco coeso, impactante e bastante desafiador. Vida londa a JBB.

Por Diego Reis - Redator

CLIQUE AQUI e ouça o álbum "O ANDARILHO" na integra.

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